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Klauss Vianna teve formação em Balé Clássico com Carlos
Leite no período de 1944 a 1948, do qual foi assistente
a partir do 2º ano de estudo.
Fez curso com Maria Olenewa de 1949 a 1950 em São Paulo.
Outros cursos contribuíram na sua formação autodidática:
Anatomia Aplicada ao Movimento na Universidade Federal da
Bahia (UFBa) de 1963 a 1964;
Teoria e Iniciação Musical na Escola de Música da UFBa em
1963 a 1964 e Cinesiologia em 1963 a 1964.
Recebeu vários prêmios e homenagens, dentre os quais destacam-se:
Prêmio MOLIÈRE na totalidade do Trabalho no Teatro - Categoria
Especial (1972)
- Por uma única vez foi conferido um Prêmio MOLIÈRE a um
profissional de corpo.
Melhor Coreógrafo do ano na Categoria Teatro (1984);
Personalidade Artística do Ano BH (1960);
Comenda da Ordem ao Mérito Artístico e Prêmio Pesquisa em
Dança (BH - 1987) e outros.
Dirigiu Companhias de Balé e Grupos de Dança. Dançou, durante
alguns anos. Criou coreografias e se apresentou, junto com
Angel Vianna (sua mulher) em balés.
Participou como preparador corporal, ator e coreografou
muitas peças.
Participou em Cursos, Congressos, Conferências e Seminários
- Pesquisou, escreveu Artigos, Livro (A DANÇA) e criou a
"Técnica KLAUSS VIANNA".
Fundou com Angel Vianna o Balé Klauss Vianna do qual foi
diretor no período de 1962.
Foi professor na Escola de Dança da Universidade Federal
da Bahia. No Rio de Janeiro, Klauss fundou em 1975 o Centro
de pesquisa Corporal Arte e Educação com Angel e Tereza
D'Aquino.
Foi professor de Balé Clássico na Escola Municipal de Bailados,
no Teatro Municipal - RJ de 1966 a 1980;
no Estúdio Tatiana Leskova de 1966 a 1974 e na PUC/RJ de
1975 a 1976.
Trabalhou como crítico de dança no Jornal do Brasil. Foi
diretor da Escola oficial de Teatro do RJ - Escola Martins
Pena/RJ (1975 a 1978) e do Instituto Estadual das Escolas
de Arte do RJ (INEARTE) (1978 a 1980).
Em São Paulo foi diretor da Escola Municipal de bailados
da Prefeitura da Cidade de São Paulo (1981 a 1982);
diretor Artístico de Balé do Teatro Municipal (Balé da Cidade)
(1982 a 1984); membro do Conselho Estadual de Dança da Secretaria
de Cultura do Estado de São Paulo (1982).
Entre outros encargos de professor e pesquisador em São
Paulo, ministrou cursos na Escola Klauss Vianna - fundada
e dirigida por seu filho Rainer (1990).
IDÉIAS de Klauss
"Dançar é muito mais aventurar-se na grande viagem do movimento
que é a vida"
"Não tenho nada para oferecer aos que têm idéias e atitudes
prontas e acabadas, sem espaço para o novo"
O fato de cada pessoa ser, em síntese, o próprio mundo,
um microcosmo, permite que ela encontre respostas para suas
dúvidas, paixões e ansiedades quando mergulha com coragem
e técnica em seu universo interior. Talvez seja isso que
faz com que grandes atores representem um mesmo personagem
centenas de vezes, sempre de maneiras distintas. Ou seja:
buscando em si a verdade daquele personagem, o ator pode
conseguir a cada nova apresentação explorar aspectos novos
e inéditos do ser fictício - mas ao mesmo tempo real - que
encarna.
O mesmo processo se aplica à construção dos tipos ou personagens
do balé clássico: quando essa técnica é devidamente aplicada,
as Giselles, Odetess e Copélias deixam de ser personagens
acadêmicos para se tornar verdadeiros clássicos, deixam
de ser estereótipos de personalidades humanas para atingir
a dimensão de autênticos arquétipos da humanidade. No teatro
ou na dança, o ator e o bailarino desencadeiam a partir
de suas individualidades um rico processo criativo, através
do qual os elementos técnicos adquiridos podem ser codificados
e, em seguida, representados.
A técnica cumpre aqui a tarefa de dar corpo e alma a cada
tipo ou personagem que se queira representar. O artista,
como criado, mais do que ninguém necessita aguçar sua percepção
do real, e o momento da criação pressupõe e ao mesmo tempo
encerra o processo de autoconhecimento. (Klauss Vianna em
A Dança).
PROFISSIONAIS DAS ÁREAS DE COMUNICAÇÃO E DANÇA FALAM SOBRE
KLAUSS VIANNA
Klauss mostrou que teatro dança "Klauss Vianna, marido e
colaborador de Angel Vianna em suas pesquisas do movimento,
não foi apenas um parceiro na permanente investigação do
corpo como fonte expressiva, mas também como elemento dramático
capaz de recolocar o ator em cena. Com formação clássica,
o primeiro homem a ser admitido em escola de dança, em Belo
Horizonte, nos anos 50, traria do teatro, através das experimentações
do grupo Comunidade, que se reunia no Museu de Arte Moderna
do Rio, no final dos anos 60, a idéia de consciência corporal.
Na verdade, Klauss introduziria o conceito de movimento
como ação cênica, justificando-o como parte integrante da
interpretação teatral, e com tal ímpeto que, por algum tempo,
se reduziu o teatro à ditadura da expressão corporal.
Klauss Vianna foi, sem dúvida, responsável por esse predomínio
avassalador do corpo no palco brasileiro. Como preparador
corporal e ator em Hoje é dia de rock, a celebração hippie
da liberdade que inundou o Teatro Ipanema, na década de
70, de espectadores-acólitos, Klauss consolidaria a sua
teoria de que o movimento se associa à emoção, e é justamente
com o gesto dramático da dança que se compõe o gesto teatral.
Mas foi em O arquiteto e o imperador da Assíria, também
no Ipanema e na mesma época, que Klauss Vianna conseguiu
atingir a depuração dessa corporalidade no teatro. O corpo
não era apenas um veículo para o gesto, resultando em movimentos
aleatórios para alcançar uma beleza. O gesto dispõe de força
própria, retirada da ação dramática.
Em Roda viva ou Mão na Luva, com atores como Marco Nanini,
Marília Pêra, Tonia Carrero e Giulia Gam, Klauss Vianna
procurava(...) - deixar a técnica de lado para encontrar
a individualidade do movimento. Em choque com o formalismo
do bale clássico, que admirava pela possibilidade de harmonização
dos gestos, sentia que a dança tinha se transformado em
uma camisa-de-força. No teatro, explorava a liberdade de
reinventar. Esse mineiro foi um pioneiro na transposição
da dança (movimento corporal) para a dramática da cena (
a palavra na raiz do movimento), e de certa maneira mostrou
que o teatro poderia dançar, soltar a voz junto com a sinuosidade
do movimento".
Macksen Luiz. Jornal do Brasil. Caderno B, primeira página.
Rio de Janeiro, 7 de abril de 1998
O MÉTODO KLAUSS VIANNA
O trabalho de Klauss propõe o contrário: libertar o corpo
de qualquer maneirismo, de qualquer concepção preestabelecida
de forma de movimento. Propõe que cada um encontre e trabalhe
a consciência do espaço gerado pelo movimento, o espaço
intermediário entre o princípio e o fim do movimento: da
consciência do espaço entre os ossos; da criação do espaço
para as projeções internas na relação do corpo com a resistência
do chão. A consciência das forças opostas que geram o movimento.
Propõe os princípios da física para o estudo dos ossos e
suas articulações, pois, segundo ele, estes funcionam como
alavancas e dobradiças. Para Klauss, o corpo de dança é
o corpo de vida, é o corpo físico regido pelas leis da física,
onde atua a lei da gravidade, o ponto de apoio etc. O corpo
é real, físico e material; virtual é a corporificação da
dança. Os objetivos do método Klauss Vianna de propiciar
a que cada indivíduo encontre a sua dança determinam uma
metodologia própria.
Essa metodologia - muito explicitada no seu livro - baseia-se
na postura diferenciada do professor. Suas idéias e seu
Sistema de técnica corporal permanecem em livro, em vídeo,
assim como nas pessoas que com ele tiveram oportunidade
de trabalhar e em seus seguidores. DULCE DE AQUINO - Professora
de Dança da Universidade Federal de Dança
MEMÓRIAS - HOMENAGENS
MEMÓRIA EM MOVIMENTO: ANGEL, KLAUSS E RAINER VIANNA -
Homenagem - Exposição.
A Homenagem aos "Três artistas da dança contemporânea no
Brasil" foi patrocinada pela Universidade Gama Filho e abriu
o "Projeto Quartas de Dança", sob a Coordenação da Bailarina
Lia Rodrigues assessorada por Roberto Pereira e a Direção
da Professora Lucia Coelho.
A EXPOSIÇÃO DE FOTOS "MEMÓRIA EM MOVIMENTO" SOBRE ANGEL,
KLAUSS E RAINER tem a concepção artística de Ciça Modesto.
Na homenagem, Angel abriu o ciclo "Quartas de Dança" com
um Solo preparado exclusivamente para esse dia. Rio de Janeiro,
1998.
CONFORT DANÇA - 2ª Mostra Nacional (1997) presta um Tributo
a Angel Vianna, A homenagem foi extensiva a Klauss e Rainer
Vianna. u A FIAT promoveu a "MOSTRA KLAUSS VIANNA" por ocasião
da inauguração do Theatro Klauss Vianna. Na oportunidade,
Angel compareceu para receber as homenagens, fazendo o discurso
de agradecimento pela família VIANNA.
A FLECHA DO TEMPO
Na história da dança brasileira, a família Vianna surge
como um exemplo da possibilidade do passado, presente e
futuro não de constituírem como três momentos distintos,
mas sim como três formas de uma única flecha do tempo aparecer.
Klauss, Angel e Rainer se enovelam apenas na primeira superfície,
aquela onde comunguem uma mesma ideologia sobre a dança.
Em camadas mais profundas, contudo, os três, na verdade,
desfiam novelos apenas aparentados, e exatamente por isso,
desenvolvem formas de atuação tão distintas.
A desmesura do desejo de Klauss aspirava construir uma ontologia.
No seu entendimento, dança era mais que estudos & espetáculos:
constituía-se num modo de abordagem do mundo. Por isso,
seus interesses se dirigiram para a descoberta das leis
mais gerais da dança. Ocupado em decifrar o processo como
o movimento aparecia sob a forma de movimento de dança,
não desenvolveu técnicas instrumentalizadoras. Formulou
metodologias de abordagem para explicar o que é a dança.
Se é o presente quem cria o passado e o futuro, como ensinou
Borges quando explicou o fenômeno Kafka, dizendo que sem
Kafka não seria possível identificar seus antecessores,
então também a Angel de hoje ilumina a de ontem e a de amanhã.
Esta idéia sobre o tempo encontra correspondência naquilo
que o filósofo norte-americano Charles Sanders Peirce enuncia
a respeito da maneira como signos são produzidos. Em Angel,
convivem em estreiteza de relacionamento a pedagogia, a
terapêutica e a criação cênica com dança. Uma mesma compreensão
de movimento irradiada para ações de especificidades próprias.
Se Klauss ambicionava o "o quê" da dança, Angel lida com
o seu "porquê". Rainer, como uma resultante vetorial destas
duas atitudes, vai lidar com o "como", buscando a sistematização
dos saberes dispersos.
Esta exposição, que evitou o risco de privilegiar tão somente
o aspecto histórico da família Viana, buscou tornar-se uma
possibilidade de reflexão sobre as formas de irrigamento
entre a natureza e a cultura dos últimos 50 anos da dança
no Brasil. Ou seja, sobre o seu futuro.
HELENA KATZ crítica de Dança do jornal O Estado de São Paulo
e Professora Doutora em Comunicação e Semiótica da PUC/SP
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